A gente vai morrendo um pouco quando os amores não dão certo. A gente tem novas oportunidades quando um outro amor começa. Mesmo que a comparação seja inevitável, é importante mudar de canal. Mas os amores que não acontecem, ah, estes são imbatíveis. Eles só deixam lembranças do que não aconteceu, do que foi apenas desejado e do que ninguém pode comprovar. Não há retratos, não há cartas, não há anéis. Só há um suspiro de "quem me dera".
O parágrafo acima transcrito é do texto "Amor Platônicô", de Ana Elisa Ribeiro, colunista do Digestivo Cultural. Achei que deveria, por força do texto dessa autora de quem tanto gosto dos escritos, escrever sobre amores. Acrescente-se o fato de estar lendo "Mulheres que amam demais", de Robin Norwood e, pela leitura, ter a percepção de como amar pode ser difícil e dolorido.
Acontece na vida de todo mundo pelo menos algumas vezes durante a existência sentir a escola de samba invadir o coração. E mesmo quem não saiba sambar, entra no ritmo, sente-se a exaltação típica dessa invasão, dança junto ou simplesmente "dança", perde o passo, o compasso.
Se for amor demais, o sofrimento também é intenso. Nessas horas o gigante aperta o coração e sufoca-nos. Mas o amor é maior. Sendo maior, a necessidade de vivê-lo supera tudo.
Sendo mulher, assumo essa condição do amor, que faz da nossa feminina existência uma contínua busca por esse sentimento. Já não podemos ser inteiras sem o amado. Já não conseguimos respirar sem a sua presença. E falta-nos o ar quando somos tocadas. Pode ser uma visão, um esbarrão sem querer, um aperto de mão, um abraço e tudo o mais. Falta-nos o ar, pela simples existência do ser que nos oferece o próprio ar. Paradoxal, mas houve poetas que declararam não haver razão nas coisas feitas pelo coração.
Esse frio na barriga que sentimos pelo outro é o primeiro sinal. Pode ser que as mãos suem, que tremamos diante da pessoa, primeiro por nervosismo, depois por algo mais. Pode ser que amanheçamos, passemos o dia, durmamos e sonhemos com a figura do amado em nossa mente. Pode ser que sonhemos acordadas o enredo da ficção que gostaríamos realidade. Acontece assim... Mesmo quando o amor é platônico, aquele sentido por apenas uma das partes. Mas há partes que amam pelas duas, e isso basta.
A gente se descobre amando quando o outro traz paz, ao mesmo tempo que a tira, quando o coração bate no compasso da respiração da pessoa amada, sente-se a dor do outro quando está triste, exalta-se quando está feliz, vive as emoções do amado que não se sabe nessa situação e encontra vida na vida dele.
Realmente estava certo quem proferiu "esse inferno de amar"... Como certo estava quem disse que "ao amar conhecemos o céu"... Não há uma única verdade.
Ao amar você quer o bem do outro, torna-se incapaz de feri-lo, é amor, e busca-se força nas mais diversas situações para justificar a tentativa de existir na vida alheia como existem na nossa. Amor torna o outro necessário, a presença, a simples ideia de sua existência alimenta a nossa, encoraja-nos a continuar amando apesar das dificuldades e dos "nãos" da vida.
Chora-se por amor, vive-se por amar... Mas há a necessidade de sentir essa dor e de sorrir por esse nobre sentimento.
A gente ama, e segue amando... Sendo amados ou não... Isso é um detalhe somente, não é condição para que o feminino coração ame.
Amar provoca medo. Sente-se medo de perder mesmo quando não se tem. Sente-se medo de não ser vista, mesmo quando nunca os olhos estiveram em nossa direção. Sente-se medo de não saber amar o suficiente porque se ama demais.
Sentimento confuso sim. Por isso muitas enlouquecem de amor, mesmo que saibamos que não há nada melhor do que enlouquecer por amar...

1 cidadãos comentaram:
Concertezaa é a minha caraa =/ , Muitoo lindoo viuu, AMEI. Esses amores da minha vidaa,vc jah sabe o que causam neh..rsrsrsrs.. Amo
Postar um comentário